União Progressista nasce sob crise e pode ficar sem representação na Alece
Falta de alinhamento político e migração de parlamentares colocam em risco a relevância do grupo no cenário estadual
O cenário político no Ceará vem sendo redesenhado com rapidez nos últimos dias, e a recém-criada federação entre o União Brasil e o Partido Progressistas já enfrenta um início turbulento. Batizada de União Progressista, a aliança surge com a proposta de fortalecer as duas siglas, mas, na prática, tem sido marcada por divisões internas e perda de espaço político.
Na Assembleia Legislativa do Ceará, o movimento de saída de deputados praticamente desmontou a base que sustentava o partido. Nomes como Felipe Mota, Sargento Reginauro e Heitor Férrer já não garantem mais a coesão da antiga bancada. A saída de Firmo Camurça para o PSD foi decisiva para acelerar esse processo, indicando o esvaziamento da sigla no Legislativo estadual.
O impacto também se reflete em Brasília. A debandada de lideranças como Danilo Forte e Fernanda Pessoa evidencia o desgaste interno. Fernanda já oficializou sua ida para o PSD, alinhando-se ao grupo político do prefeito de Maracanaú, Roberto Pessoa, enquanto Danilo ainda não definiu seu destino.
A crise expõe uma dificuldade maior: a falta de unidade dentro da federação. No Ceará, a disputa pelo comando local entre Moses Rodrigues e Capitão Wagner revela dois projetos distintos — um mais próximo da base governista e outro alinhado à oposição.
Enquanto isso, o governo estadual também se movimenta. A entrada da vice-governadora Jade Romero na federação é vista como uma tentativa de aproximar o grupo da gestão do governador Elmano de Freitas. Porém, a presença de figuras como Roberto Cláudio dentro do mesmo campo político amplia as divergências e dificulta a construção de uma estratégia comum.
Nos bastidores, cresce a avaliação de que o principal problema não é apenas a saída de nomes importantes, mas a ausência de uma liderança capaz de unificar o partido. A condução nacional, sob comando de Antônio Rueda, também é alvo de críticas, especialmente pela dificuldade em mediar conflitos regionais.
Diante desse cenário, o futuro da União Progressista no Ceará é incerto. A federação que nasceu com potencial de protagonismo pode, paradoxalmente, começar sua trajetória sem representação efetiva na Alece, refletindo um momento de fragmentação política e falta de direção estratégica.






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