Venezuela registra mais de 800 tremores após terremotos devastadores
Mais de 59 mil edifícios podem ter sido danificados, enquanto número de mortos se aproxima de 3 mil e equipes seguem buscas por desaparecidos.
foto: Miguel Medina/Pool/AFP A Venezuela continua enfrentando os efeitos dos terremotos de magnitudes 7,2 e 7,5 que atingiram o país em 24 de junho. Nos dez dias seguintes aos abalos principais, a Fundação Venezuelana de Investigações Sismológicas contabilizou 804 tremores secundários, conhecidos como réplicas. Segundo o órgão, cerca de 98% desses eventos tiveram magnitude inferior a 4, o que significa que a maioria não foi percebida pela população.
Especialistas explicam que o aumento da atividade sísmica após um grande terremoto é considerado um fenômeno natural. Como a Venezuela está localizada na região de encontro das placas tectônicas do Caribe e da América do Sul, os tremores são relativamente frequentes, embora os registrados em junho tenham sido os mais intensos do século no país.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) alerta que não é possível prever quantas réplicas ainda ocorrerão nem sua intensidade. O órgão também destaca que os impactos geológicos podem se estender por meses ou até anos, principalmente devido ao risco de deslizamentos de terra em áreas montanhosas e próximas a rios, comprometendo a segurança de comunidades e futuras obras.
Levantamento preliminar da Nasa aponta que aproximadamente 59 mil edifícios podem ter sido destruídos ou sofrido danos estruturais. Em regiões como o estado de La Guaira, onde montanhas íngremes ficam próximas da faixa litorânea, especialistas alertam que deslizamentos e enchentes podem atingir áreas densamente povoadas.
As autoridades venezuelanas informaram que uma comissão foi criada para avaliar as condições das construções afetadas e definir as prioridades para a reconstrução. Até o momento, entretanto, não foi divulgado um cronograma para o início dos trabalhos.
O balanço oficial mais recente aponta 2.954 mortos e mais de 16 mil feridos. Organizações humanitárias afirmam que o número de vítimas pode aumentar, já que muitas áreas permanecem de difícil acesso. A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que mais de 50 mil pessoas ainda estejam desaparecidas em todo o território venezuelano.





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