Gorete Pereira é investigada pela PF e STF por suspeita de fraudes milionárias no INSS
Parlamentar é apontada como articuladora política de esquema que aplicava cobranças indevidas em benefícios de aposentados e pensionistas em todo o país
Reprodução: Câmara dos Deputados A deputada federal Gorete Pereira (MDB-CE) é investigada pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal por suspeita de participação em um esquema milionário de fraudes contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A apuração ocorre no âmbito da chamada Operação Sem Desconto, que investiga descontos indevidos aplicados em benefícios de aposentados e pensionistas.
Segundo a investigação, a parlamentar teria atuado como articuladora política de uma organização criminosa que utilizava associações como fachada para incluir beneficiários sem autorização, permitindo a realização de cobranças automáticas diretamente nos pagamentos previdenciários.
Operação e decisão do STF
A operação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal e tem como relator o ministro André Mendonça. Na decisão, o magistrado reconheceu a existência de indícios consistentes da participação da deputada, mas não determinou a prisão preventiva, optando pela aplicação de medidas cautelares por causa do foro privilegiado.
Entre as medidas impostas estão:
uso de tornozeleira eletrônica
recolhimento domiciliar no período noturno
entrega do passaporte
proibição de contato com outros investigados
proibição de acesso a órgãos ligados ao esquema
A deputada também está impedida de frequentar dependências do INSS, da Dataprev e das associações investigadas.
Como funcionava o esquema
De acordo com a Polícia Federal, o grupo incluía aposentados e pensionistas em associações sem autorização. Após a inclusão irregular, eram realizados descontos mensais diretamente nos benefícios pagos pelo INSS.
O dinheiro arrecadado era movimentado por empresas de fachada e pessoas usadas como “laranjas”, com indícios de lavagem de dinheiro e pagamento de propina a servidores públicos para manter o funcionamento do esquema.
As investigações apontam que o núcleo da organização tinha divisão de tarefas e atuação coordenada. O empresário Natjo de Lima Pinheiro seria responsável pela gestão financeira, enquanto a advogada Cecília Rodrigues Mota atuaria como operadora. Já Gorete Pereira teria exercido papel estratégico de articulação política, facilitando contatos e destravando procedimentos.
Trajetória política
Atualmente, Gorete Pereira exerce mandato como suplente na legislatura 2023-2027, após assumir a vaga em dezembro de 2025. Natural de Juazeiro do Norte, no Ceará, ela tem longa trajetória política e já cumpriu vários mandatos consecutivos na Câmara dos Deputados desde 2003.
A parlamentar mudou recentemente de partido, deixando o PL e se filiando ao MDB, o que viabilizou seu retorno ao Congresso Nacional.
Defesa nega irregularidades
Em nota oficial, a deputada negou qualquer participação em atos ilícitos e afirmou que sua trajetória pública sempre foi pautada pela legalidade.
A defesa informou que está analisando a decisão do Supremo Tribunal Federal e que os esclarecimentos serão prestados dentro do processo, respeitando o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa.
O advogado Waldir Xavier declarou que irá se manifestar após avaliação completa do caso e que adotará todas as medidas necessárias para garantir os direitos da parlamentar.






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